Legado Inestimável

Texto produzido a pedido do site impedimento.org
Nota: Publicado em 11/03, ou seja, antes da partida contra o Juventus.
__

Semblante do torcedor diz tudo (foto: Facebook do Avaí)

Semblante do torcedor diz tudo (foto: Facebook do Avaí)

O Avaí Futebol Clube, o mais vezes campeão de Santa Catarina, vive uma das piores fases de seus 90 anos. Disputou onze partidas pelo estadual neste ano, com oito derrotas, um empate e apenas duas vitórias. No Hexagonal da Morte que define os dois rebaixados à segunda divisão, perdeu os dois primeiros jogos e é lanterna da competição. Tais números fizeram com que a maior torcida catarinense fosse obrigada a ver seu time amargurando a lanterna do certame. Os problemas que levaram o time a essa situação não se limitam às quatro linhas nem ao ano vigente. Pelo contrário, o rendimento é reflexo de algo muito mais podre fora delas. Para entender o que se passa é necessário voltar um pouco no tempo.

O Avaí viveu seus momentos de glória mais recentes em 2008 e 2009. Em 2007, após uma ameaça de rebaixamento à Série C do Brasileiro, o clube firmou parceria com o empresário Luiz Alberto de Oliveira, da LA Sports. Assim, o 2008 avaiano começa com ótima campanha do estadual e culmina com acesso à Série A no fim do ano. Time e torcida vivem a “lua de mel” dos sonhos. Até então a LA Sports tem seus principais jogadores no clube e os mantêm para o ano seguinte, assim como o técnico Silas.

Logo no primeiro semestre de 2009 vem o título estadual, o qual o clube não vencia desde 1997 quando brilhava a estrela do atacante Jacaré, ídolo do Guga Kuerten. Começa o brasileiro e o clube faz uma campanha espetacular, terminando a competição em 6º lugar, a melhor campanha de um clube barriga-verde. Tudo azul no pedaço mais azul do sul do mundo. Os jogadores que fizeram parte dessa página brilhante da história – Muriqui, William Batoré, Marquinhos, Léo Gago, Luís Ricardo – atingem sua valorização máxima, sendo prontamente vendidos pelo seu empresário, dono da LA Sports.

Curioso que o clube pouco ganhou com essas transações, pois o que existia não era uma parceria, mas sim uma terceirização do Departamento de Futebol. Na prática, funcionava da seguinte maneira: o empresário colocava no Avaí um jogador que o clube não podia contratar, com o benefício ficando apenas para dentro do campo. Fora dele, o empresário tinha liberdade para tirar o atleta quando quisesse.

Aos poucos, Luiz Alberto foi tomando conta do clube. Chegou a ser chamado pelo então presidente João Nilson Zunino de “amigo fraternal do Avaí”. E usando de toda sua fraternidade começou a comandar como queria. Trouxe gerente de futebol, técnico e despejou no clube todo atleta seu que estava parado em algum lugar. Com salários pagos pelo Avaí, lógico, e com carta branca do presidente.

Novamente campeão estadual em 2010, chega embalado ao brasileiro e com um calendário cheio, pois disputaria a Copa do Brasil e a Sula. No nacional, campanha ruim e quase rebaixamento, sendo salvo na penúltima rodada. O time surpreende na competição continental, chegando às quartas de final em um torneio onde o co-irmão de São José sequer venceu um jogo.

No entanto, 2010 ficaria marcado mesmo pelas rusgas entre a parceria e o clube. O Avaí foi inflado com jogadores de quinta categoria, e com os maus resultados apareceram os detalhes dos bastidores que antes eram camuflados pelas vitórias. O Avaí montava elencos com 50, 60 jogadores, celebrava contratos com duração de quatro, cinco anos com atletas trazidos pela parceria sem que eles fizessem nada que justificasse tal extensão de acordo. A folha foi ficando inchada e os melhores jogadores da LA Sports já não desembarcavam mais no aeroporto Hercílio Luz.

Quem leu até aqui pode ter achado que a parceira é a culpada de tudo. Ledo engano, toda ação da empresa era avalizada pela diretoria na figura de seu presidente, que relegou o cuidado com o futebol ao parceiro. A partir daí o clube vai ladeira a baixo. O Avaí caiu para Série B do brasileiro de 2011, terminando em último da Série A no ano anterior com um time de cacarecos deixados por Luiz Alberto.

Em frangalhos, o clube conseguiu ainda a proeza de ser campeão catarinense em 2012 após estar quase eliminado na fase de classificação. Venceu o Figueirense duas vezes na final após o rival ter conquistado os dois turnos do torneio. Fez uma campanha digna na Série B daquele ano, inclusive com boas chances de acesso, não fosse a venda do zagueiro Renato Santos e do meia Cléber Santana ao Flamengo. Neste mesmo período, o presidente Nilson Zunino é diagnosticado com câncer e começa, aos poucos, a deixar o clube para cuidar de sua saúde. Nada mais natural que isso. Ainda em 2012, nova prova de que as coisas não iam bem. Os jogadores se reuniram e paralisaram as atividades antes de uma partida contra o Ceará, pela Série B, na qual o time apenas cumpria tabela. Três meses de salário estavam atrasados.

2013 é o ano do apogeu no calvário avaiano. O estadual passa com o Avaí eliminado pelo Criciúma. No elenco, os veteranos Marquinhos e Cléber Santana, com grande parte de seus salários pagos por Grêmio e Flamengo, respectivamente, juntam-se ao não menos veterano Eduardo Costa para montar uma equipe que parecia promissora para a Série B. No comando, o ex-meia Ricardinho.

Após início ruim na competição, o Avaí chegou à 14ª rodada diante do Figueirense na segunda metade da tabela. Àquela altura, Ricardinho já havia sucumbido aos maus resultados e em seu lugar estava Hémerson Maria, que treinou a base avaiana e comandou o time profissional na conquista do estadual de 2012. No referido jogo, vitória por 3 a 1 início de uma arrancada que levaria o time à terceira colocação do campeonato faltando sete jogos para o fim e que abafaria os problemas extracampo. Até que a situação fica insustentável.

25 de outubro de 2013: a última boa partida do Avaí

Nesse dia em que o Avaí chegou ao G4, em terceiro lugar, a vitória sobre o Bragantino foi o último suspiro de bom futebol que o torcedor azurra tem lembrança. Nunca saberemos ao certo o que aconteceu com o elenco a partir daí. Alguns que dizem que houve grande discussão nos vestiários por questões de atrasos salário e premiação; outros, que parte do grupo rachou com Hémerson Maria. O fato é que a situação financeira havia atingido níveis inaceitáveis. A essa altura, Zunino estava afastado totalmente da presidência, deixando Nilton Macedo Machado na função. O que isso influenciou naquele momento? Tudo.

Para aqueles que não conhecem, João Nilson Zunino é um médico e rico empresário de Santa Catarina. Dono de uma das maiores redes de laboratórios de análises clínicas do estado, o presidente era conhecido por injetar dinheiro no clube para quitar folhas salariais atrasadas. Segundo balanço financeiro divulgado no final de 2013, o Avaí deve a seu agora ex-mandatário o valor de R$ 12 milhões. Sem traquejo com futebol e sem dinheiro para apaziguar os ânimos, Nilton Macedo Machado pouco pode fazer para o barco não ir a pique.

“O período de 2010 a 2013 foi caracterizado por um descontrole na relação entre o que se fatura e o que se gasta. Foi nesta fase que a situação financeira passou a ser insustentável. Em 2009, o déficit acumulado era de R$20,2 milhões, em 2011 era de 22,2, mas em 2012 já era de 30,6, e hoje deve estar em torno de R$ 35 milhões.”, afirma Claudio Vicente, ex-conselheiro do Clube em texto publicado no site Conselharia Azurra.

O Avaí tinha a essa altura 53 pontos faltando ainda seis jogos a disputar. Para terem uma ideia, o Figueirense subiu em 2013 com 60 pontos, ou seja, o clube precisava de sete em 15 disputados – aproveitamento de time quase rebaixado – e não conseguiu (foram cinco derrotas e uma vitória). Terminou a competição na décima colocação.

Eleições

Enquanto a Série B 2013 se desenrolava, outra peleja acontecia fora de campo. Um grupo de sócios e alguns conselheiros do clube – entre eles três ex-presidentes do Leão, Flávio Félix, Décio Girardi e Gerson Basso – insatisfeitos com a atual administração, decidiram inscrever uma chapa e concorrer ao pleito do Conselho Deliberativo (no atual estatuto avaiano, o Conselho elege a Diretoria Executiva). A situação também montou chapa. Foi a primeira vez em 90 anos de história que haveria eleição no Avaí.

Eram cerca de 4.500 sócios aptos a votar. Destes, pouco mais de 900 foram à Ressacada naquele 20 de novembro, dando a vitória à chapa da situação, ou seja, da continuidade.

12 anos, três títulos e muitas dívidas depois, Zunino deixou o Avaí.

12 anos, três títulos e muitas dívidas depois, Zunino deixou o Avaí. (Foto: Jamira Furlani)

O Conselho Deliberativo eleito escolheu Nilton Macedo Machado como presidente, candidato da antiga gestão Zunino, tomando posse ainda em dezembro de 2013. Nilton já era vice, chegou à presidência, mas disse não conhecer a situação do clube. Usou do famigerado “eu não sabia”. No entanto, em seu discurso de posse, afirmou que Zunino saía do comando deixando um “legado inestimável”.

Nos primeiros dias de gestão, contudo, promoveu um discurso mais austero e pé no chão. A situação era mais do que crítica. Era vergonhosa. Funcionários da limpeza e conservação cruzaram os braços em paralisação pelo atraso de salários, assim como trabalhadores das lojas oficiais do clube. Ainda em 2013, o clube acertou a contratação de Sidney Moraes, jovem treinador que fez boa campanha com o BOA Esporte na Série B daquele ano, mas este usou da “cláusula de liberação” que constava em seu contrato em caso de proposta melhor e picou a mula rumo à Ponte Preta sem nem mesmo começar o trabalho em Santa Catarina. Sem opções e sem dinheiro para tirar um treinador de outro clube, o Avaí efetivou Emerson Nunes, que havia encerrado a carreira de jogador por problemas cardíacos no clube e era auxiliar técnico no Leão.

Após muitas especulações, o Avaí consegue manter seus principais jogadores. Pela primeira vez após muitos anos o time não precisou começar do zero. O Avaí 2013 tinha dois problemas: uma defesa insegura e a falta de um bom atacante. Nenhuma das duas coisas foram consertadas para 2014.

O estadual inicia com derrota para o Atlético de Ibirama, fora de casa – perder em Ibirama é rotina para o Avaí. Na segunda rodada, vitória sobre o pequenino Juventus, de Jaraguá do Sul, e ânimos um pouco acalmados. Foi a segunda vitória em nove jogos, contando com o fim da Série B do ano anterior. Na rodada seguinte, após nova derrota para o Marcílio Dias, em Itajaí, a realidade vem à tona sem dó, nem piedade.

O Avaí vinha jogando um péssimo futebol desde a já citada partida contra o Bragantino. Um time sem vontade, sem criatividade, sem vida. Cleber Santana e Marquinhos, o último principalmente, começam a ser questionados e tachados como medalhões inúteis.

Antes da partida contra o Joinville, pela quarta rodada do estadual, os jogadores ameaçam uma paralisação, prometendo nota à imprensa explicando seus motivos. A nota acabou não sendo divulgada devido a quitação de uma parcela dos atrasados. Tomem um ar, bebam um copo d’agua e se alonguem. A próxima informação é chocante: em fevereiro de 2014, o Avaí quitou os salários referentes a outubro de 2013. Na prática, muitos jogadores estavam desde setembro do ano passado sem receber.

O Avaí prometeu colocar o resto dos atrasados em dia. Para ajudar no pagamento, se aproximou novamente do empresário Luiz Alberto. Além dele, Eduardo Uram e a empresa Plus Sports participaram do “racha” que injetou R$ 1,3 milhão nos cofres do clube. Em troca, o clube ofereceu participação em atletas das categorias de base. De pires na mão, a diretoria azurra não viu outra opção a não ser aceitar a proposta. Jogadores chegaram, principalmente da LA Sports, e assim o antigo parceiro que já foi “amigo fraternal” e que já rompeu ligações com o clube estava de volta.
Todo esse imbróglio fora de campo afetou o rendimento do time. Imagine você como treinador. Com que autoridade você cobraria algo devendo cinco meses de salário?

Daí para frente foi ladeira abaixo. Os jogadores se apagaram, as falhas defensivas ocorriam aos montes. A confiança ruiu, e quando ela vai embora não há mais jeito. O torcedor avaiano vê seu time entrar em campo como se fosse um solteiros x casados após o churrasco. Em alguns jogos, como contra a Chapecoense na primeira fase, o time até começa bem, sai na frente do placar. Mas a frágil defesa entrega o empate ao adversário e é visível no semblante dos jogadores o sentimento de “lá vamos nós de novo”. Alguns jogadores parecem nem ligar se o pior acontecer. Some-se isso a um treinador inexperiente e despreparado e o saldo é um só: mais derrotas e a demissão de Émerson Nunes.

Chega Paulo Turra para assumir o time (por indicação de Luiz Alberto). Três derrotas depois ele é demitido. Seguem mais derrotas, sempre com falhas na defesa, que fica estatelada ao chão na tentativa de impedir o tento adversário. Na primeira fase foram seis em nove jogos, três delas em casa, e o oitavo lugar num campeonato com dez times.

E assim o Avaí está jogando o hexagonal final, que definirá os dois rebaixados à segundona catarinense, com seu terceiro treinador em apenas onze jogos. Um torneio no qual o clube se inscreveu há alguns anos. Faltam oito jogos para descobrirmos se o “legado inestimável” será jogar no interior profundo de Santa Catarina em 2015.

Comentar via Facebook

Comentários

A hora da ação

Hoje à noite o Avaí tem seu jogo mais importante do ano até o momento. Alertamos aqui para o perigo de o Avaí entrar no “hexagonal da morte” pensando em treinar e preparar-se para a Série B, pois o risco de rebaixamento existe sim e não é pequeno – creio que os dois primeiros jogos tenham deixado isso claro. Se o Leão quer salvar o pouco de dignidade que ainda lhe resta e manter-se na primeira divisão estadual, não pode pensar em perder pontos contra o Juventus. É ganhar ou ganhar, matar ou matar. Não tem escapatória.

marcilio31ava

Apatia, jogador andando em campo, observando o adversário marcar com o gol vazio… chega disso!

Mas como um time que tem apenas duas vitórias em 11 partidas no Campeonato Catarinense fará isso? Sempre digo pros meus amigos que não entendo de futebol e só dou pitaco. Pois bem, meu pitaco é de que o maior problema do Avaí dentro de campo (fora de campo há outros milhares…) não está no esquema tático, na preparação física e talvez nem estivesse no treinador (embora tenhamos em Pingo o primeiro treinador do ano com alguns resultados expressivos na carreira), mas está na cabeça.

É o salário que atrasa, o Fulano que briga com o Beltrano, as panelinhas que se formam, o diretor que promete e não cumpre, o treinador que vai à imprensa dizer que o elenco é fraca, a sequência de derrotas que tira a confiança, a torcida que cobra… Juntou tudo isso, formou uma bola de neve e o time entrou em parafuso e, pra piorar, começou ficar apático, indiferente às derrotas. Time, aliás, que no papel tinha tranquilamente condições de estar no quadrangular semifinal, e não na lanterna do hexagonal dos piores.

Basta pegar a escalação do time semifinalista em 2013 para ver que, apesar dos problemas que o elenco atual tem, não é por deficiência técnica que estamos fazendo uma campanha tão ridícula em 2014. A equipe que jogou em Criciúma a semifinal do ano passado tinha Diego, Arlan, Pablo, Alef, Julinho, Alê, Eduardo Costa, Higor, Marquinhos, Reis e Roberson. Depois entraram Aelson, Danilo Alves e Tauan. Um time longe de ser bom, não é?

Mais que implantar sua filosofia antichutão, fazer mudanças táticas ou ensaiar jogadas, Pingo tem esse desafio para esta noite: trazer de volta à turma o sentimento de vergonha e ódio da derrota. Ir além do discurso de que “temos trabalhar”, “temos que nos esforçar”, realmente desejar, sonhar com a vitória, se não por amor à camisa, que nem todos têm, mas por suas carreiras e reputações. O treinador, claro, não deve estar sozinho nessa. O Avaí tem jogadores macacos velhos, com cancha e história de conquistas no clube. Sempre vêm à mente os nomes de Diego, Marquinhos, Eduardo Costa e Cléber Santana. São os mais experientes, os mais afamados, os mais queridos pelos torcedores porque têm mais identificação com o clube. Vamos lá, move yourself, peguem os outros pela mão e digam “vamos ganhar essa p***!”, hajam como líderes.

Sei que não é fácil, mas para o Avaí manter-se na primeira divisão estadual, o time precisa passar, pelo menos momentaneamente, uma borracha no que aconteceu de 2013 pra cá. Romper com os problemas do passado recente ou, pelo menos, varrê-los para debaixo do tapete até que a incômoda visita do fantasma do rebaixamento vá embora, deixando pra levantar novamente o tapete mais adiante. É isso ou não ganhar hoje, entrar em campo cada vez mais pressionados nas próximas rodadas e fatalmente sucumbir.

Comentar via Facebook

Comentários

Coração Leviano

Não é fácil explicar uma paixão. A melhor forma de tentar entender esse sentimento em alguém eu vi em uma cena do filme argentino “O Segredo dos Seus Olhos”, ganhador do Oscar de filme estrangeiro em 2010 e um dos meus favoritos. Na história, dois homens que trabalham em um tribunal penal procuram fugitivo acusado do estupro e morte de uma jovem. Sem sinal do paradeiro dele, descobrem mais informações sobre o rapaz analisando sua paixão pelo Racing Club, time de futebol de Avellaneda. Mesmo tendo outras coisas importantes a se preocupar, ele não consegue se desprender da paixão pelo clube, e isso o faz ser preso. Assista à cena:

Assim é minha relação com o Avaí. A fase anda horrível, dentro e fora de campo, mas continuo pagando a mensalidade e indo aos jogos. Continuo achando que logo vai passar e que seus dias de vitórias voltarão. Continuo discutindo nas redes sociais. Só um homem apaixonado acreditaria tanto em algo que volta e meia o machuca. E o que o homem apaixonado precisa para seguir acreditando é ter esperança. Nem que seja apenas um Pingo dela.

Pingo não "Turrou" e comanda o Leão contra o Marcílio. (Foto: André Palma Ribeiro)

Pingo não “Turrou” e comanda o Leão contra o Marcílio (Foto: André Palma Ribeiro)

Após passagem meteórica e desastrosa, Paulo Turra deixa o Avaí. Sem contar os interinos, acredito que tenha sido o menor período de um treinador na história do clube (18 dias). Queimou-se com a torcida ao não assumir no clássico, reclamou contratações, criticou o elenco e concedeu entrevistas que não condiziam com o momento do clube. Por fim, até o tamanho de suas calças estava sendo questionado pelo torcedor. Caiu.

A diretoria agiu rápido e trouxe Pingo, que comandava o Brusque neste estadual. O nome dele já havia sido cotado em outras oportunidades e conta em seu favor os dois bons trabalhos com Juventus e o já citado time do Vale do Itajaí. Venceu o Avaí no Catarinense deste ano, na Ressacada, mas acho que isso não vem sendo muito valorizado no currículo de alguém ultimamente. Conhecido por gostar de toque de bola, costuma punir jogadores que dão chutão em treinamentos e isso se reflete em um time que procura sempre sair jogando com qualidade.

E com isso meu coração leviano já se enche de esperança. Pingo não é nenhum treinador revolucionário ou salvador da pátria, mas chega com a simpatia de todos. O Avaí cria um fato novo, algo para o torcedor voltar a acreditar em dias melhores.

Em entrevista ao Notícias do Dia de hoje, o novo treinador elogiou o elenco avaiano e disse que “lidar com craque é fácil, é só dar liberdade para eles jogarem o que sabem.” É aí que entram minhas preocupações.

O elenco é recheado de jogadores experientes. Colocar métodos em prática e cobrar desempenho no Brusque é uma coisa, no Avaí a dimensão é outra. Como Pingo será recebido pelo grupo de jogadores é fundamental para saber se terá sucesso no clube. Além disso, o respaldo da Diretoria também será determinante para seu trabalho. Quando digo respaldo, falo principalmente em salários em dia, o principal motivo de reclamação entre os atletas.

Pingo é agenciado pelo empresário Eduardo Uram, até então parceiro do Avaí. No entanto, é Luiz Alberto de Oliveira, outro empresário parceiro, quem mais tem jogadores no clube e quem mais age nos bastidores. Essa relação também me preocupa.

Acredito que Avaí tenha feito uma boa escolha para o momento. Um pouco tarde, na minha visão, pois gostaria de tê-lo visto no clube após a saída do Hémerson Maria. Seu estilo de jogo não se aplica da noite para o dia, e se estivesse na Ressacada desde dezembro nossa sorte no estadual teria sido outra.

No mais é confiar e acreditar. Tenho certeza que no coração de cada avaiano uma chama de esperança começa a criar força. Mesmo sem admitir, mesmo xingando e prometendo que não acompanharia mais o time, essa chama do torcedor nunca se apagou. Afinal, uma pessoa pode mudar de cara, de casa, de família, de namorada, de religião, de Deus. Mas uma coisa não se pode mudar. Não se pode mudar de paixão.

Comentar via Facebook

Comentários

A estrela que nos guia

O que nos move?

Sim. Eu, tu, o torcedor “doladelá”, o corintiano, o torcedor do Brusque, o do Barcelona. O que nos faz pagar o PPV, ir ao estádio num dia de frio, de chuva, em um jogo que não vale nada, deixar nossa família em casa, reclamando a nossa ausência, ou levá-la para aquele que pode ser um baita programa de índio?

Olha, não sei se falo por você, mas tenho para mim que o que nos faz passar uma vida em torno de um clube é a possibilidade, palpável ou utópica, de levantar um troféu.

Bonitinha ela ao lado do escudeto, não? (Foto do Memória Avaiana)

Qual troféu? Aquele que for do nosso tamanho, oras. E se for mais de um, e se um troféu significar um ritual de passagem para um patamar superior, ainda melhor. Uma final, um acesso, uma boa classificação em um campeonato no qual não somos protagonistas são momentos muito bacanas na história do clube, mas não enchem o memorial.

Tema que costumeiramente se apresenta às rodas de discussão sobre futebol, principalmente nas rodas de futebol de Florianópolis, é o valor do título representado e ostentado acima do escudo avaiano no formato de uma estrela amarela: o Campeonato Brasileiro da Série C de 1998.

A prática de sinalizar no uniforme as conquistas do clube é bastante antiga e, no Brasil, não atende a qualquer critério específico. Os clubes o fazem a seu bel prazer, ao contrário do que ocorre, por exemplo, na Itália, em que, conforme informa a revista Mundo Estranho, a estrela dourada só pode ir para cima do escudo depois de o clube acumular 10 scudetti.

A falta de critério não é sem razão. Os clubes brasileiros se colocam em patamares diferentes. Em muitos patamares, diga-se. Cada um com sua grandeza, com sua realidade e com os seus sonhos.

Essa diferença de tamanhos faz com que os estaduais continuem sobrevivendo, justamente porque um clube que não pode almejar um título não sobrevive (Vá lá, uma Ponte Preta da vida até sobrevive).

A importância de um título se mede, então, pelo contexto.

avai_dc_destaque

A cidade parou (Foto: Memória Avaiana)

Possivelmente, conseguindo superar o feito histórico anterior, com conquistas maiores, representativas de uma nova fase mais pujante do clube, as “anotações em forma de estrela” no uniforme vão sendo substituídas, mas enquanto forem as maiores, as mais simbólicas devem, sim, estar lá estampadas. É por elas que vivemos, oras.

Seja uma conquista suprema, dificilmente superável, no máximo igualável, como o mundial para o Flamengo ou o brasileiro da Série A para o Guarani, ou um ritual de passagem importante, como foi o Brasileiro da Série C para a gente.

À época, vínhamos de um período em que beirávamos o amadorismo. Com a exceção de “ilhas de excelência” como foram o Metropol nos seus áureos tempos, ou o Criciúma da Copa do Brasil de 1991, Santa Catarina inteira vivia em um patamar muito abaixo dos times de segundo escalão brasileiros.

Até ali, participar de uma Série C já era uma conquista, e aquele título, com todas as muitas dificuldades que se apresentaram, reaqueceu o cenário do futebol catarinense, que hoje, com conquistas equivalentes pelos outros clubes grandes do Estado – Criciúma e Joinville -, se coloca em um patamar nunca antes imaginado.

Tenho muito orgulho daquela estrelinha. Espero sinceramente substituí-la num futuro próximo, mas para isto, só com títulos de maior expressão e até lá o trabalho será muito árduo.

Que fique, neste meio tempo, ela ali, estampada e reluzente.

Há quem tenha “nariz torcido” para a prática de estampar as principais conquistas sobre o escudo. Compreendo. Eu também não me sentiria confortável em estampar, sei lá, uma janela sobre o do meu time.

Comentar via Facebook

Comentários

Vou simplesmente aproveitar

Desde que o Avaí firmou contrato com a LA Sports e outras empresas de agenciamento de jogadores, estabelecendo uma nova parceria, tenho convicção – essa palavrinha tão utilizada pelos treinadores trazidos pelas mãos de Luis Alberto – de que teremos pelo menos dois bons anos pela frente. À forcéps, teremos um bom time já para esse ano e talvez até para o próximo. Após isso, que segure as calças quem não quiser ficar pelado.

O valor de R$1,3 milhão investido pelos parceiros do clube, dos quais R$500 mil são da LA e Brazil Sports (Uram) e R$300 mil da Plus Sports, é um sinal de que o cenário é sério e que as coisas em campo terão que andar muito bem. Só assim os jogadores envolvidos no negócio poderão valorizar. Portanto, todos os envolvidos farão um esforço muito grande para obter o máximo retorno financeiro e assim lucrar o máximo possível. Se não o fizerem, estarão perdendo dinheiro. O que significa que o torcedor pode acreditar: o Avaí deve montar um bom time para a Série B, mesmo que não pelas próprias mãos.

Muita convicção será ouvida saindo da boca do treinador para justificar algumas escolhas que não façam sentido sob uma análise puramente futebolística, de qualidade dentro das quatro linhas. Desde que os resultados venham, claro. Diferente da gestão predominante no Avaí Futebol Clube nos últimos 12 anos, empresários bem sucedidos não rasgam dinheiro. E não deixam que o clube administre sozinho a questão, pois querem garantir o retorno de cada investimento feito. Muita interferência acontecerá ainda, seja na escalação ou no dia-a-dia.

O que nos leva a uma lembrança boa e outra ruim: em 2007, Luis Alberto salvou o Avaí do rebaixamento. Em 2008, enxertou o elenco nas posições necessárias. Subimos. Em 2009, manteve os melhores e fez um time de destaque nacional. Aí, então, com a máxima valorização que conseguiria, vendeu tudo o que pôde. Faz todo o sentido do ponto de vista empresarial, mas a Diretoria precisa se preparar para este cenário. Por exemplo, pode cair no colo dela a tarefa de montar o time depois de um possível sucesso e consequente desmanche de elenco. O clube, dentro dos termos do contrato, deve preparar-se para caminhar com as próprias pernas caso o custo – e consequentemente o retorno –  de montar de um elenco para Série A seja muito alto e portanto não muito atrativo aos empresários.

Portanto, torcedor avaiano, nos próximos 2 ou 3 anos, aproveite. Deve haver gente muito interessada e se esforçando no sucesso do time por esse período. Só não esqueça de cobrar muito a responsabilidade necessária dos dirigentes. Para que o Avaí não vire uma Tombense e também simplesmente não repita os fracassos retumbantes da última década.  Até lá, muitas alegrias hão de vir. Quem viver, verá.

Comentar via Facebook

Comentários

A carta para o Alex Rossi

Alex Rossi está com 45 anos (Foto: Zero Hora)

Uma carta com as mensagens abaixo foi enviada a Alex Sandro Rossi, o Alex Rossi ou “Alex Raça”, ex-atacante do Avaí em 1999 e 2001 que luta contra o vício em crack e cocaína. Enviamos também um exemplar do livro O time da raça – almanaque dos 90 anos do Avaí Futebol Clube, que tem como um de seus autores Felipe Matos, sócio-fundador da Conselharia Azurra, que produziu a obra junto com os pesquisadores avaianos Adalberto Kluser e Spyros Diamantaras.

Esperamos que essa pequena homenagem a Alex Rossi ajude-o, de alguma maneira, a encontrar forças para sair dessa situação. Estamos contigo, Alex!

Florianópolis, 28 de Fevereiro de 2014

Alex,

Não nos conhecemos, mas, ao mesmo tempo, somos muito íntimos. Quando você vestiu a camisa do Avaí pela primeira vez, em 1999, estávamos lá. Sempre que marcavas um gol, gritávamos o seu nome. Sempre que corrias em direção à bola, sempre que não desistias de uma jogada com sua incrível disposição entoamos gritos de guerra em sua homenagem.

Enquanto houver um avaiano, o Avaí jamais estará só nos gramados do mundo. E este é nosso recado para você. Somos torcedores do Avaí Futebol Clube e resolvemos lhe mandar esta carta para dizer que, assim como o Avaí, jamais estarás só.

Nosso nome foi incorporado ao seu: Alex “Raça” Rossi. Somos o time da raça e estamos com você, ao seu lado, apoiando, torcendo, entoando o seu nome nesta sua partida mais difícil. No entanto, desta vez não queremos que você vença por nós ou pelas lembranças de seu passado no clube. Vença essa partida por você. Quando a vontade de jogar tudo para o alto estiver te sufocando e tudo parecer, por um instante, perdido, pense no que vai dizer a seus filhos e sua família quando sair dai e chegar em casa.

Você é um vencedor. Estamos ao seu lado. Jamais estarás só.

Abraços da torcida do Avaí Futebol Clube, o time do Alex “Raça” Rossi.

Adir José da Silva Junior
Andrey Freitas da Silva
Carmen Furhmann
Cláudio Vicente
Douglas Martins Silva
Eduardo R. Goedert
Felipe Borges
Felipe F.B. Silva
Felipe Matos
Marcelo Herondino Cardoso
Rafael Vidal Eleutério
Rafael Xavier Passos
Rodrigo Silveira

Reunimos abaixo uma série de mensagens de alguns amigos que você deixou por Florianópolis, além de muitos torcedores que você não conhece, mas estão ao seu lado e fizeram questão de lhe enviar este apoio:

Alex Rossi no Avaí em 1999

“Alex, meu querido, foi uma surpresa quando li a reportagem no jornal , fiquei muito triste em ver que você passou por tudo isso, mas vi a tua força em se recuperar. Sei que é uma batalha muuuuito difícil, mas tenho a mais absoluta certeza que você vai vencer e motivação não te faltará, pois você tem o maior tesouro que uma pessoa pode ter para se motivar que são os TEUS FILHOS. Pense muito neles hoje e sempre que a tentação voltar. Sempre lembro a alegria e as brincadeiras que você fazia e sem contar a GARRA E A DETERMINAÇÃO nos jogos, pense que agora é também um jogo . O JOGO DA TUA FAMÍLIA. ABRAÇOS DO AMIGO Cedenyr.”
Cedenyr, ex-lateral-direito do Avaí

“Alex Raça Rossi. Estivesse eu a frente do clube com certeza faria o possível para trazê-lo para perto de nós, dessa torcida que aprendeu a te idolatrar. Como não podemos, estejas certo que estamos ai do seu lado, torcendo por sua recuperação. Não sem motivo, pois com seu carisma e entrega nos deu grandes momentos. Poderia aqui enumerar alguns, muitos, em que mostrasse ser uma pessoa diferenciada, de boa índole, além de um grande jogador. Inesquecíveis. Conte conosco, mostre sua raça e tão logo melhores, nos dê noticias, pois vamos festejar como se fosse o título que nos tiraram.”
Flávio Félix, ex-presidente do Avaí

“O que eu queria dizer para o Alex é que ele demonstre aquela força e garra que ele sempre teve defendendo as cores do nosso Avaí e de outras agremiações por onde passou…tenho um carinho enorme por ele e se Deus quiser pretendo reencontra-lo um dia com muita saúde, dignidade e com essa principal partida de sua vida vencida por ele. Nós estamos longe mas com muita fé na sua recuperação. Fique com Deus, grande abraço.”
Jacaré, ex-atacante do Avaí

“Alex é um cara maravilhoso e parceirão. Tive a honra de jogar ao seu lado e desejo e peço a Deus que ele saia dessa e tenho certeza q vai sair. Manda um abração a ele de seu amigo Adilson Balinha!”
Adílson Balinha, ex-atacante do Avaí

“Depois do titulo estadual de 1997 e do brasileiro de 1998, falei pro Flávio Félix que precisava contratar um ídolo para nossa torcida, pois teríamos muita pressão em 1999 pela sequencia de sucessos anteriores. e foi com esta ideia doida que fui te buscar GUERREIRO, e junto com teu xará, Alexi Stival [Cuca], tu fez a Ressacada tremer e com isso facilitar minha vida diante das pressões! Tenho certeza que aquele guerreiro continua vivo dentro de ti e que em breve estará recuperado nos braços da Marcia, Miguel e Isabel. Um grande beijo no teu coração, teu fã e amigo João Carlos Dias.”
João Carlos Dias, ex-diretor de futebol do Avaí

“Olá, meu amigo Alex! Eu sei que faz muito tempo que não nos vemos, mas no tempo em que convivemos eu aprendi a te respeitar e te ver como uma referência positiva. Tu sempre foste um guerreiro, de força e de alma e agora eu sei que tu serás mais uma vez aquele guerreiro, aquele “touro indomável”, o grande “Alex Raça”. Essa é mais uma batalha que tu já venceste. Um grande abraço do teu amigo que te admira muito! Deus te abençoe hoje e sempre!”
Flávio Kretzer, ex-goleiro do Avaí

“Estou reunindo alguns diretores do Internacional da época para ver o que possamos fazer, Alex é um grande amigo meu e grande ídolo do AVAÍ!”
César Silva, ex-goleiro do Avaí

“Ele sempre foi um GUERREIRO. DESEJO MUITA PAZ E SERENIDADE PARA ELE. SE PRECISAR DE MIM EM FLORIANÓPOLIS, ESTOU A DISPOSIÇÃO. GRANDE ABRAÇO”.
Albeneir, ex-jogador de Avaí e Grêmio

“Força Alex Raça, esse é o seu nome eternizado pela 12 avaiana, que essa mensagem o faça refletir que aqui fora existe uma nação que quer vê-lo em breve muito bem de saúde. Eu estava lá em 1999 em Criciúma, jogo histórico e um lance que não me sai da memoria em especial porque eu estava olhando justamente para você quando o lance ainda estava perto da nossa área, uma arrancada fulminante e um golaço. O engraçado é que mesmo perdendo o titulo para o nosso maior rival o lance que me lembro é justamente esse gol. Um grande abraço, Deus está com você.”
Rodrigo Buch, torcedor do Avaí

“Quem venceu aquele jogo em Criciúma, em 1999, com aquela raça toda, aos 40min do 2° tempo, é capaz de vencer qualquer outra “partida” que a vida possa lhe impor! Força Alex! Raça! Abraço!”
Mauro Canto da Silva, torcedor do Avaí

“Força guerreiro… você nunca deixou de lutar em campo…mostre e lute agora para dar volta por cima. Queremos nosso símbolo da garra de volta e quem sabe uma visita na Ressacada. Força Alex Raça. Abraços e Deus está contigo.”
Paulo Henrique Barbosa, torcedor do Avaí

“Uma raça incomparável nos gramados de futebol… Tenho certeza que com esta garra e determinação fora dele, conseguirá dar a volta por cima. Um ídolo jamais pode ser esquecido. Abraço!!!”
Ricardo Jacques, torcedor do Avaí

“Força Alex Rossi, porque raça não lhe falta para vencer mais essa batalha!!! Abs, Sérgio.”
Sérgio Pereira, torcedor do Avaí

“Alex “RAÇA” Rossi você é um cara de muita Raça e com certeza vai conseguir vencer esta sua luta! Torço muito por sua vitoria e muita fé em DEUS q tudo vai dar certo! Abraço de seu fã Odinilson.”
Odinilson Manoel Silvano (Odinho), torcedor do Avaí

“Alex, você será sempre lembrado por nós, Avaianos, pela sua raça e determinação. Continue agindo assim!!! Força estamos do seu lado.”
Rafael Duarte Silva, torcedor do Avaí

“Que você tenha a mesma garra com que vestiu o manto azurra pra sair dessa, a nação azurra está com você … FORÇA ALEX RAÇA!”
Geovani Gomes, torcedor do Avaí

“Que ele tenha a mesma vontade e raça quando ele jogava com a camisa do Avaí pra largar esse vício desgraçado, força…”
Rodrigo Rocha, torcedor do Avaí

“Alex Raça, nós NUNCA vamos poder te esquecer, você é um de nossos ídolos eternos temos muito orgulho, da maneira como você se empenhava em campo de como vestia nosso manto sagrado com dignidade você é o típico jogador avaiano, nos te amamos e vamos sempre torcer por ti, temos certeza que tu vais sair dessa tens muito q ensinar para essa cambada de come e dorme que só joga quando quer… ídolo imortal, sangue puro, raça e amor a camisa, pense nisso tudo e em quantos avaianos te querem bem te querem ver vivo e feliz você é o craque não precisa dessa porra de droga, não merece sofrer nisso pois quem deu tantas alegrias nessa vida para os outros não merece sofrer… estamos contigo e sempre estaremos… desde a ilha formosa muitas saúde e um forte abraço campeão…”
Torcida Organizada Raça Azul

“Grande Alex, com a RAÇA de sempre com certeza vencerás mais essa grande partida. Saiba que toda a nação zurra está junto contigo!! Saiba que não estás só , pois além de teus familiares e amigos, tens mais alguns muitos milhares de AVAIANOS torcendo e “jogando” contigo e por ti !! Conclua esse tratamento e desde já a torcida AVAIANA te aguarda para uma visita na Ressacada para comemorarmos mais essa vitória, com o gol do nosso ALEX RAÇA !! Força CAMPEÃO !!! Estamos contigo !!”
Hercílio Costa Neto, torcedor do Avaí

“Alex “Raça”, Raça é o que sempre moveu o Avaí Futebol Clube e todos que passaram por aqui e deixaram sua marca, como é o teu caso. Temos isso em nossos corações e sei que essa raça que tens dentro de ti vai te ajudar a sair dessa. Eu como torcedor jamais esquecerei de tudo que fizeste por nós, avaianos. Tuas comemorações mostravam o quanto tu amavas aquilo que sabias fazer de melhor: gols. Hoje, além de torcedor, sou funcionário do Avaí, trabalhando no marketing, e torço muito pela tua rápida recuperação. Quando estiveres de volta, serás nosso convidado especial aqui na Ressacada, que um dia já foi tua casa também. Um grande abraço”.
Jorge Daux Neto, funcionário do Avaí Futebol Clube

Comentar via Facebook

Comentários

Memórias dos hexagonais

fantasmadelab

Sai pra lá, assombração!

A campanha do Avaí no Campeonato Catarinense de 2014 já é uma das piores do clube na história da competição. Com apenas sete pontos somados em nove partidas, o aproveitamento é de irrisórios 25,9%. Os números ficam mais alarmantes se levarmos em conta que o Leão disputou cinco jogos em casa. A Ressacada, no entanto, não é mais o caldeirão de outrora: o time conseguiu apenas uma vitória e um empate e foi derrotado três vezes em nosso estádio. Vergonhoso.

Uma campanha tão medíocre fez com que o clube mais vezes campeão de Santa Catarina ficasse sem chance de ir ao quadrangular final com uma rodada de antecedência, numa fase de nove datas, na qual, em tese, é mais difícil ser eliminado antes da rodada derradeira. Resta agora disputar o hexagonal final com bastante seriedade, pois, se entrar com o espírito de “vamos treinar para a Série B”, o Avaí corre sério risco de ter que viajar a Concórdia, Canoinhas ou Porto União em 2015, como bem alertou o Eduardo Goedert.

Dito isso, lembramos que não é a primeira vez que o Avaí disputa um “hexagonal da morte” e assemelhados no estadual. Vamos ver quando isso ocorreu?

1990

Na fase semifinal do campeonato, os 12 clubes dividiram-se em duas chaves de seis, de acordo com suas classificações na primeira etapa (todos contra todos). Os seis melhores foram para o hexagonal principal, que classificou três times para o quadrangular final do Catarinense. Já os seis piores foram para o hexagonal secundário, que classificou um time para o quadrangular final e rebaixou um para a segunda divisão.

Último colocado na primeira etapa, o Avaí foi para o hexagonal secundário, junto com Brusque, Caçadorense, Marcílio Dias e a dupla tubaronense Ferroviário e Hercílio Luz. O Leão acabou em terceiro no hexagonal e não conseguiu a vaga no quadrangular final (ficou com o Ferroviário), nem foi rebaixado (a Caçadorense foi).

1991

Não contente com o que fez em 1990, o Avaí decidiu ir novamente para o hexagonal dos lanternas em 1991, depois de ficar em décimo na primeira fase. Naquele campeonato, os 14 times jogaram entre si na primeira fase e, na segunda, dividiram-se em três chaves: o quadrangular principal (que deu três vagas na semifinal), o quadrangular secundário (uma vaga na semifinal) e o “hexagonal da morte” (definiu o rebaixado). Estiveram com o Leão no torneio dos piores exatamente os mesmos times do ano anterior (até a Caçadorense, que foi rebaixada, mas não caiu). Mais uma vez, o Avaí foi terceiro, com o Ferroviário em primeiro e, desta vez, o Hercílio Luz em último.

Avaí x Concórdia em 1993: o Leão venceu (3×1) na última rodada do hexagonal da morte, mas acabou rebaixado

1993

O regulamento era o mesmo de 1991 e, com a décima segunda colocação na primeira fase, o Avaí só podia mesmo disputar o hexagonal da morte. Brusque, Caçadorense, Concórdia, Inter de Lages e Joaçaba foram os parceiros de agonia. Dessa vez, não houve escapatória. Penúltimo colocado no hexagonal, o Leão caiu junto com o Brusque, o lanterna. Curiosamente, ambos haviam se enfrentado na final do estadual de 1992.

2002

Não foi bem um “hexagonal da morte”, mas, graças a uma péssima campanha no estadual de 2001 (oitavo entre 10 times), o Avaí teve que disputar em 2002 uma fase preliminar do Catarinense, junto com outros cinco clubes (Atlético Alto Vale, Atlético de Ibirama, Inter de Lages, Kindermann e Marcílio Dias). Enquanto isso, os quatro primeiros de 2001 (Joinville, Criciúma, Figueirense e Tubarão) jogavam a animada e lucrativa Copa Sul-Minas.

Menos mal que o Avaí conseguiu uma classificação relativamente tranquila para a fase final do Catarinense, ficando em primeiro lugar do hexagonal. Marcílio Dias e Atlético de Ibirama também se classificaram.

Comentar via Facebook

Comentários

O descaso e o caminho para a ruína

O Avaí ultrapassa uma das maiores crises de confiança das últimas décadas. Seja pelos problemas financeiros que rondam a administração do clube, que refletem na falta de pagamento de salários, seja pelos resultados negativos que colheu no decorrer da primeira fase do Campeonato Catarinense, o fato é que o plantel não demonstra, em campo, que pode formar um time vencedor.

O Avaí perdeu todos os cinco jogos que disputou contra o Atlético em Ibirama desde 2009. Não vai ter moleza nesse hexagonal (Foto: Eduardo Santos/APP/Folhapress)

A mudança de comando técnico efetuada, longe de dar uma injeção de ânimo nos atletas, como corriqueiramente ocorre, manteve o baixo rendimento de um time que, ao menos no papel, afigura-se razoável. Sequer o clássico, constata-se após as duas últimas rodadas, foi capaz de conduzir o elenco a uma boa fase.

Contudo, neste cenário trágico de desmotivação e falta de confiança, a eliminação precoce no varzeano torneio estadual pode ser apenas o menor dos prejuízos, embora pouca gente perceba. Ante a curteza do certame, a manutenção dessa postura conformada por parte de time e torcida pode ensejar uma catástrofe de proporções abissais.

Obviamente, falo do risco do descenso o qual enfrentaremos. Sim, um clube como o Avaí, maior e mais tradicional de seu estado, sequer deveria cogitar a lamentável hipótese de disputar o rebaixamento em um torneio de qualidade tão insignificante. No entanto, no contexto em que nos encontramos, e conhecendo as ironias do futebol como conhecemos, receio que uma postura orgulhosa, desinteressada, possa ser o caminho da ruína.

Em um hexagonal onde não temos nada a ganhar, só a perder (afinal, a vaga na Copa do Brasil, prêmio ao vencedor, já temos através do ranking da CBF), não se vislumbra perspectiva de melhora nos índices de motivação. Eventuais resultados adversos nos próximos jogos, é certo, atirarão o clube em estado de desespero, sendo oportuno rememorar que um terço dos competidores será arrastado à segunda divisão.

Bobeira igual àquela de Itajaí? Nem pensar! (Flávio Tin/Notícias do Dia)

A luta contra o rebaixamento deve ser encarada como uma realidade, pois não será de forma automática que evitaremos o mal. Tal tragédia, aliás, não seria inédita na história da Capital. Tanto Avaí como seu rival já experimentaram o amargo gosto de disputar a divisão de acesso no solo onde são considerados gigantes (valendo a menção de que o segundo deles sequer foi capaz de dar a volta por cima e reconquistar em campo sua vaga).

O Avaí – incluída sua torcida – há de levar a sério a fase da competição que se avizinha, sob pena de, futuramente, lamentar profundamente o descaso.

Comentar via Facebook

Comentários

Uma carta para Alex

Avaianos,

Alex Rossi no Avaí em 1999

O craque Alex “Raça” Rossi, que nos deixou boas lembranças quando vestiu a camisa do Avaí, desta vez precisa da nossa ajuda. Passando por momentos difíceis em sua vida pessoal, o ex-atleta está internado numa clinica de reabilitação para dependentes químicos.

Estamos organizando uma carta com mensagens de apoio nesta que é sua partida mais difícil: a luta contra o vício.

O que você gostaria de dizer para Alex Rossi? Deixe um comentário com sua mensagem que nós nos encarregamos de entregá-la! A carta será enviada até sexta-feira, dia 28. Portanto, não perca tempo!

Vamos mostrar mais uma vez que a torcida avaiana não se esquece daqueles que honraram a camisa do time da raça.

Comentar via Facebook

Comentários

Craque do jogo Avaí 1×2 Chapecoense

O meia Diego Jardel teve a melhor média no Troféu Avaí na partida Avaí 1×2 Chapecoense (6,6), sendo, portanto, “o craque do jogo” pelo lado avaiano. As piores médias foram do lateral-esquerdo Eduardo Neto e do dublê de lateral-esquerdo (te liga, Turra!) Roberto, ambos com 4,5.

Confira aqui as notas de todos os jogadores que atuaram no clássico na avaliação feita pelo júri do Troféu Avaí.

O craque do ano

O lateral-direito Bocão segue como líder, com a melhor média do ano (6,8). Diego Jardel, no entanto, está nos calcanhares do Big Mouth. Veja aqui a classificação completa.

Chuteira de Ouro

Além de premiar o melhor jogador, o Troféu Avaí também vai conceder a simbólica “Chuteira de Ouro” ao artilheiro do Leão na temporada. Paulo Sérgio fez, contra a Chapecoense, seu segundo gol no ano e já ameaça o líder Betinho, que tem três gols. Confira a lista dos artilheiros.

Comentar via Facebook

Comentários