O que esperar?

Finalmente acabou a vexatória campanha avaiana no Chevettão 2014. Já não era hora. A colocação final, sexto lugar, foi a pior desde 2006. O aproveitamento de pontos, de 42,1%, é o pior desde 2004. Foram apenas sete vitórias em 19 jogos, das quais seis obtidas contra os três piores colocados do hexagonal (Brusque, Juventus e Atlético de Ibirama). A primeira promessa de campanha da gestão atual – “priorizar a conquista do estadual” – já falhou.

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Tu não sabias – nem eu -, mas esse é o Toshi

O desempenho pífio aliado aos reforços no estilo “quem?” que vieram sugerem que a nossa Série B vai ser daquelas. As novas contratações – Abuda (volante, ex-Goiás), Néris (zagueiro, ex-Brusque), Jean (atacante, ex-São José-RS), Mazinho (meia, ex-Brusque) e o japonês Toshi (atacante, ex-Friburguense-RJ) – não empolgam ninguém. O retorno do velho conhecido Eltinho (ex-Coritiba), que já estreou contra o(a?) Naviraiense na Copa do Brasil, até que dá uma esperança de termos um lateral-esquerdo decente.

Tem também as voltas de jogadores que estavam emprestados, como  o zagueiro Egon (Ypiranga-PE) e o atacante Anderson Lopes (Marcílio Dias), ainda insuficientes para elevar as expectativas do torcedor. Outros jogadores podem chegar. O goleiro Vágner, agora pretendido por todo mundo depois de ser campeão paulista pelo Ituano, seria um deles. Será?

O que fica claro é a opção da diretoria em não gastar muito para a Série B, já que o legado dos últimos anos para os cofres azurras não foi nada positivo. Embora dificulte o cumprimento de outra promessa – “priorizar o acesso à Série A” -, diria que prefiro isso a mais uma gestão que cometa loucuras. De minha parte, sempre admiti a possibilidade de sacrificar 2014 se isso significar um futuro menos tumultuado no ano que vem ou, vá lá, no ano olímpico.

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Jean Silva chega do São José (RS) querendo avoar alto no Leão (Foto: Luiz Costa/Gazeta Press)

Bom, o elenco do estadual com mais aqueles enxertos ali e mais um ou outro que ainda podem chegar é o que teremos. Depois de anos sendo ignorada, talvez a categoria de base surja agora como salvação para a pindaíba. Portanto, torcida, um pouco de paciência com os guris será necessário.

E então, devemos nos desesperar? Acho que não é para tanto. Apesar de a campanha do estadual ter sido bem ruim, considero o time do Catarinense deste ano tecnicamente superior ao do estadual do ano passado, quando o Avaí foi semifinalista. A campanha pífia de 2014 pode ter várias explicações, mas a qualidade ruim do time, me parece, não é uma delas. Com um pouco mais de organização e vontade, teríamos condições de chegar ao quadrangular e disputar de igual com os outros, já que era tiro curto. Também não vejo o Leão como um dos times mais fracos da Série B.

Por outro lado, é quase impossível imaginar o Avaí entre os mais fortes da competição nacional. Se no 11 inicial há alguns problemas, mas ainda assim dá pra encarar, quando olhamos as opções do elenco, vemos que não temos gente de qualidade em número suficiente para um campeonato de 38 rodadas com viagens Brasil afora, lesões, cartões, suspensões e outros “ões” que possamos imaginar. O único dos reservas que deixou uma impressão positiva foi Héber. No mais, nada demais.

Se foi assim contra o Marcílio, imagina contra o Vasco. Faltam principalmente dois zagueiros, dois meias mais rápidos que M10 e CS88 (pra jogar com eles ou pra ser opção) e um centroavante de ofício – difícil mudar o esquema ofensivo com jogadores de características semelhantes (mais movimentação e velocidade que presença de área) como Roberto, Héber e Paulo Sérgio.

Dito isso tudo, minha expectativa é de que o Avaí fique em colocação intermediária pra baixo. Tipo assim, do oitavo ao 13o. lugar. Se for bastante dedicado e com um pouco de sorte, quem sabe dê pra brigar pelo acesso, ficando ali no bolo até as rodadas finais. Se bobear, porém,… Bom, deixa pra lá. Adoro o nosso título da Série C, mas não pretendo brigar pelo bi em 2015.

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Bom (ou não) e barato

Passado o período de forte turbulência do começo do ano, o Avaí tem uma semana cheia para trabalhar e o Departamento de Futebol, juntamente com o técnico Pingo, começa a pensar os reforços para a Série B e Copa do Brasil. Por enquanto, negociações tímidas e mantendo a coerência com a proposta orçamentária do clube.

Jean Silva. Mesmo mineiro, realizou o sonho de todo gaúcho: saiu do RS para morar em Floripa. (Foto: Luiz Costa / Gazeta Press)

Jean Silva. Mesmo mineiro, realizou o sonho de todo gaúcho: saiu do RS para morar em Floripa. (Foto: Luiz Costa / Gazeta Press)

O primeiro atleta confirmado é o atacante Jean Silva, que disputou o último Gauchão pelo São José e marcou três gols na competição. Jean tem um dos melhores DVDs do youtube e espero que o Avaí tenha colhido mais referências do que isso. É um atacante de lado de campo, arisco e veloz, quase um meia-atacante. Pelas imagens, em certos momentos lembra o Muriqui (Lembra! não estou dizendo que joga como Muriqui). Tem 24 anos e passou também por Araçatuba/SP, Universidade/RS, Pelotas/RS, Aimoré/RS e Lajeadense/RS. É rodado pelo interior gaúcho, uma espécie de Leandrinho dos Pampas.

Na proposta de jogo atual do Pingo, já chega para ser reserva. E aí fica a minha crítica: a dez dias do início da Série B, acredito que as contratações devem ser cirúrgicas, em posições realmente carentes do elenco e que cheguem para jogar. Esperava um centroavante nesse momento, um cara de área que participasse das tabelas com os meias e chegasse à área para finalizar. O esquema do técnico, com cinco no meio-campo e apenas um atacante, pede que seja alguém de referência entre os zagueiros.

No setor mais crítico do time, a defesa, apenas especulações. Os nomes mais cotados são os do goleiro Wanderson e do zagueiro Néris (Hueglo é o nome de batismo do Néris), ambos disputando o estadual pelo Brusque. Os dois trabalharam com Pingo há bem pouco tempo, e creio que o técnico viu a deficiência no elenco e achou que os dois têm condições de vestir o manto sagrado. Tem tudo pra fechar.

Se uma das principais críticas ao Diego é sua baixa estatura, para os padrões atuais do futebol mundial, isso não será problema para Wanderson. Natural de Sinop/MT, o goleiro tem 1,93m e foi revelado nas categorias de base do Coritiba. Aos 27 anos, já passou por Botafogo/SP, Joinville, Juventus/SC e Marcílio Dias. Cabe à Comissão Técnica decidir quem será o titular, de qualquer forma, será bom termos uma disputa pela posição, assim não causa acomodação àquele que estiver jogando. Pelos jogos que vi, é um bom goleiro. Rodolpho, do Marcílio Dias, também está cotado. Traria apenas um dos dois.

Néris, que está sendo anunciado como possível reforço para a zaga, também é volante. No próprio site do Brusque o jogador aparece como meio-campista. É jovem, tem 21 anos, e passou por Camboriú, Imbituba e Brusque. Alto (1,90m) é, dos três, aquele que chega com mais chance de ser titular. Não estou dizendo que será o novo Émerson, mas olhando o atual elenco me arrisco a dizer que é melhor que Pablo e Bruno Maia. Sua estatura também favoreceria a bola aérea avaiana, uma dor de cabeça nos últimos tempos. Assisti a duas partidas suas na Ressacada e me causou boa impressão, é um zagueiro técnico.

Se “O futebol é uma caixinha de surpresas”, a Série B é um container. É difícil saber o nível da competição. Em 2012, o São Caetano fez 71 pontos e não subiu. Em 2013, o Figueirense conquistou o acesso com 60 e o azulão foi rebaixado. Ou seja, não é por que o Avaí manteve o time de 2013 e fez uma boa campanha que isso se repetirá em 2014. Precisa se reforçar mais, já que os três são nomes para compor elenco. Mesmo com orçamento apertado, esperava nomes mais expressivos ou, pelo menos, em condições de sair do aeroporto Hercílio Luz para dentro das quatro linhas.

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Juventus x Avaí – Pré-jogo

Hoje tem Leão em campo e o treinador resolveu mesclar a equipe, tendo poupado alguns dos titulares. Como a situação do Avaí está tranquila – no hexagonal porque campeonato para nós acabou – é bastante compreensiva esta determinação do Pingo.

Dizem por aí, que o treinador está passando confiança e sabe conversar. Sinceramente, não sei se o que trouxe tranquilidade para a equipe foi o treinador ou alguns jogadores resolveram mudar sua postura após a diretoria ter tomado determinadas decisões. Vamos aguardar, pois o futuro dirá se o treinador é bom mesmo ou os jogadores criaram vergonha na cara, o que até agora não tiveram nenhum “pingo”.

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Sem ponto de interrogação

No último sábado (23) o Felipe Silva publicou um texto de pré-jogo em que perguntava logo no título: Evoluímos? Pela partida de ontem, contra o Brusque, acho que já podemos retirar o ponto de interrogação. Sim, evoluímos. Não está assim “uma Brastemp”, mas para um time que respirava por aparelhos qualquer evolução seria bem-vinda.

Aos poucos as coisas vão começando a se ajeitar, dentro e fora de campo. Fora, no âmbito da diretoria, de acordo com o presidente os salários de 2014 estão em dia e os atrasados de 2013 em negociação. Ainda na cúpula, o afastamento do empresário Luiz Alberto parece ter dado mais leveza ao ambiente.

"Quem der chutão vai ter que discutir na internet sobre o tumulto na UFSC"

“Quem der chutão vai ter que discutir na internet sobre o tumulto na UFSC” (foto: Jamira Furlani)

Dentro de campo a evolução tem muito do trabalho do técnico Pingo. Ontem já pudemos ver um time mais organizado, bem distribuído e com padrão de jogo, não o emaranhado que nos colocou no Hexagonal da morte. Vimos um time com vontade, que pegou, deu carrinho, enfim, o famoso “time com tesão”. Parece que o elenco está em sintonia com o treinador. Com as coisas de acertando, volta a confiança e com ela voltam as vitórias.

O Jogo

Aos nove minutos, o Brusque abriu o marcador em cobrança de falta que desviou na barreira. Fosse na fase anterior era o estopim para mais um desastre, mas o Leão não se abateu e empatou, também de falta, aos 12 minutos. Gol do Marquinhos, o medalhão que marcou três gols nas últimas três partidas.

O Avaí continuou pressionando. Melhor no jogo, teve a posse da bola com toques rápidos e movimentação. E aqui entra o meu pedido à torcida: esse é o estilo do Pingo. Por diversas vezes ouvi reclamações nas arquibancadas quando um jogador avaiano recomeçava a jogada, tocando para um companheiro mais recuado. Esse é o jogo dele, sem pressa. Temos que ter paciência.

Em boa arrancada, Roberto foi derrubado na área e o Avaí chegou ao segundo gol, desta vez de pênalti. Um senhor do meu lado quase enfartou quando o Cleber Santana ajeitou a bola para a cobrança. “De novo? Vai botar pra fora de novo, quer ver?”, ele disse. Calma, senhor. CS88, outro medalhão, guardou aos 27 minutos.

"Te odeio, dá cá um abraço." (foto: Jamira Furlani)

“Te odeio, dá cá um abraço.” (foto: Jamira Furlani)

A vitória estava encaminhada. O Avaí manteve o ritmo para a segunda etapa, com o jogo concentrado no meio de campo. Natural, pois Pingo optou novamente por apenas um atacante e a manutenção de Diego Jardel na meia, que vem bem no esquema montando pelo treinador. O ruim desse sistema de jogo é o isolamento do atacante Roberto, que já não é homem de área, é um velocista e condutor de bola (mais velocista). Ele não sabe jogar de costas para o gol, precisa de alguém para tabelar e receber na frente, como no lance em que sofreu o pênalti que originou o segundo gol.

Em cobrança de falta de Diego Jardel, Eduardo Costa, outro medalhão, escorou para marcar o terceiro e selar a vitória, aos 23 minutos da etapa final. O Avaí ainda teve a chance de marcar o quarto gol em duas oportunidades, com Bocão e Antônio Carlos, mas faltou capricho na finalização.

O Brusque assustava pouco, mas teve um lance que me fez ter a convicção de que novos ventos sopram pelos lados da Ressacada. Em um bate-rebate na área avaiana, a bola foi cabeceada no travessão e no rebote o chute atingiu a defesa azurra. Em outros tempos entraria ao menor esforço.

Boa vitória e risco de rebaixamento distante. Desde o primeiro jogo do Catarinense venho dizendo que o Avaí precisa de contratações pontuais para ir longe na Série B e por mais que a defesa tenha se saído bem nos últimos quatro jogos, ainda a vejo como um ponto a ser melhorado para o nacional e Copa do Brasil. Aguardo com certa expectativa a volta do Eltinho à lateral esquerda, já que Eduardo Neto mostra fragilidade na posição. Acho que um centroavante de ofício também se faz necessário.

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Primeiro foi o verbo. No indicativo ou no subjuntivo?

O meu verbo é intransitivo, é pronominal, é transitivo direto. Exprime um estado ou uma ação que não passa do sujeito. É único e pessoal!

O AVAÍ eu conjugo no subjuntivo. Tem o tempo presente, o pretérito imperfeito e o futuro, que como bom subjuntivo carrega um “se”, um “quê”, um “quando” na conjugação.

Tem torcedor que conjuga no indicativo. Tem presente. Tem defensores do “pretérito perfeito”, do “mais que perfeito”, do “futuro do presente”, do “futuro do pretérito”.

Vivemos a conjugação das formas mais diversas, divertidas e até bizarras.
A turminha do “pretérito perfeito” e do “mais que perfeito” é a que mais me diverte. Um conjuga e a outra meia dúzia – aquela do fundo da sala, sabe? – cola, sem ao menos preocupar-se com a pergunta. Certamente faltaram aulas, muitas aulas. Acharam que a amizade com o “diretor” lhes bastava. Fosse eu a professora repetiriam o ano, os últimos doze, principalmente. Conjugariam só os irregulares à exaustão e em prova oral, sem desculpas.

Nosso presente está um claro resultado do “passado imperfeito”. As deficiências, os equívocos, a humilhação.
E aí, para não conjugar outros tempos do verbo, o cômodo é responsabilizar o grupo de jogadores, desmistificar o melhor aluno do colégio. Como se o jogo não fosse coletivo e não fossem os jogadores frutos também das aulas cabuladas, mas aqui pelo “professor”, que deixou o colégio todo à deriva às vésperas do vestibular, porque também era o “diretor” e licenciou-se sem deixar as notas nos boletins, tampouco delegou que fossem entregues… Não contou com o imprevisto, que deve ser previsto.

Agora, o presente do indicativo tem “novo” diretor. Praticamente escolhido pelo anterior. Um substituto, eu diria. E eu continuo no subjuntivo a querer saber “se” vai ser diferente, “quando” vai ser diferente. Torcendo firme e forte, como tantos outros que não se apegam ao “diretor”, mas ao que a escola se propõe!
No futebol boa vontade não é suficiente. Tal qual o verbo, tem que flexionar em pessoa, número, tempo, modo e principalmente em voz. É preciso ação, estado, fenômeno, ocorrência e desejo.
Fazer o melhor é obrigação de quem assume um cargo e responde pela função a que foi eleito. Não vejo méritos. Os resultados credenciam uma gestão, não esta ou aquela pessoa.
Não é possível dizer que não sabia que as notas não estavam nos boletins…

O AVAÍ é uma instituição de 90 anos. Precisamos de comprometimento e não apenas dos jogadores, mas do conjunto – direção, conselhos, jogadores, torcida. Cada um fazendo seu papel, e o comandante, comandando. Parece óbvio! Mas o verbo presente mostrou que não é.

Aos poucos alguns verbos parecem estar retomando seus tempos e conjugações. A confiança ressurgindo.
E nessa hora alguns têm que ficar em recuperação e outros precisam rodar pra entender que o verbo flexiona em muitos tempos, seja indicativo, seja no subjuntivo.

Eu, como foi no começo dessa história, mantenho a conjugação do verbo AMAR: intransitivo, pronominal, transitivo direto. Exprimo um estado ou uma ação que não passa do sujeito, porque meu verbo é AMAR. Amar meu AVAÍ.

GIANE ANTUNES SEVERO é revisora ortográfica. Graduada em Letras, em Tecnologia de Processos Gerenciais, pós-graduada em Gestão de Pessoas, tem especialização em Administração de Marketing e MBA em Marketing de Serviços.

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Evoluímos?

O Avaí entra em campo daqui a pouco contra o Atlético de Ibirama para confirmar uma impressão que tenho ao acompanhar os últimos jogos: o time está evoluindo. Feita a ressalva de que enfrentou a pior equipe do campeonato, pode-se dizer que o Leão foi muito bem na partida passada contra esse mesmo Atlético, dominando o jogo do início ao fim. Não assisti o duelo anterior, contra o Brusque, mas o relato do amigo Rodrigo Silveira, que foi ao Augusto Bauer, é de que a atuação avaiana foi boa.

Marquinhos foi um dos destaques na vitória passada contra o Atlético. Que repita a boa atuação hoje! (Foto: Jamira Furlani/Avaí F.C.)

~Marcos~ foi um dos destaques na vitória passada contra o Atlético. Que repita a boa atuação hoje! (Foto: Jamira Furlani/Avaí F.C.)

Voltando um pouco mais no tempo, o primeiro tempo contra o Juventus na Ressacada foi ruim. Na segunda etapa, porém, o Avaí melhorou e chegou aos 3 a 0 numa noite em que Héber destacou-se.

Aos poucos, parece que Pingo vai conseguindo implantar sua filosofia, mesmo tendo chegado há pouco tempo. Um dos “sintomas” disso, para mim, foi ver que o time parou de basear seu jogo somente no “lateral-que-vai-à-linha-de-fundo-e-cruza-esperando-que-um-gigante-de-dois-metros-de-altura-cabeceie”, o esquema que muitos comentaristas e torcedores parecem ver como único possível. Vi mais bola no chão, tabelas, jogadas pelo meio e, sim, lateral indo ao fundo, mas fazendo passes e cruzamentos rasteiros e não o tradicional chuveirinho.

Parece, portanto, que evoluímos. Parece que vamos melhorar. Parece que vamos engrenar e parece que não sofreremos com a ameaça de rebaixamento. Parece, parece, parece… O jogo de hoje vai nos indicar se é isso mesmo ou se fui otimista demais.

(obs: bota o Héber de titular, Pingo!)

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Nem anjo nem demônio

Porra, estão falando de mim novamente?

Porra, estão falando de mim novamente?

Andei afastada das redes e me dedicando um pouco mais de atenção, afinal como já afirmei certa vez, existe vida além do Avaí. Porém quando retomo a vida “azul” percebo que nada mudou, o papo continua o mesmo quando o assunto é o M10. Há os que o defendem com unhas e dentes, afinal o consideram um ídolo, assim como há os que acreditam que hoje o “Galego” não faz tanta diferença dentro do grupo.

Verdade seja dita, M10 pode sim ter muita lenha para queimar, mas está deixando a desejar, até porque uma andorinha sozinha não faz verão. Por isso mesmo, acho que esse papo já está chato e tenho visto no twitter uma melação de cuecas desnecessária. Que o M10 é um craque ninguém discute, mas o momento é outro, a preocupação deveria ser em discutir como e por onde começar para tornar o Avaí novamente um time que nos traga alegrias.

Os torcedores estão cobrando o que é de direito: desempenho e vergonha na cara. E isso não se limita apenas ao M10, mas a todo o grupo. Porém quando se fala de qualquer outro jogador parece que a cobrança é válida, já quando se trata do Marquinhos o assunto fica proibido, como se o atleta se sobreponha a instituição Avaí Futebol Clube.

Hoje, se eu tivesse que aplaudir alguém, seriam os corajosos torcedores que foram a Brusque assistir mais uma partida que só nos envergonha e entristece. Torcedores que, independente de qualquer dificuldade dentro ou fora das quatro linhas, precisam ser respeitados, pois somos nós torcedores que fazemos com que a paixão não seja interrompida, independente de onde estejamos classificados.

Hoje, mais uma vez, quantos de nós estarão presentes na Ressacada para assistir o jogo contra o Atlético Ibirama, onde não nos serve outro resultado que não a vitória? Que entrem em campo com sangue nos olhos e força nos pés, afinal, já dizia meu avô, futebol é para homens, os que preferem fazer corpo mole devem ficar no bar praticando outro esporte: levantamento de copos.

Montou-se um octógono, onde de um lado temos Avaí e do outro lado M10, tendo para cada lado uma torcida. Uma discussão ridícula, já que o Avaí será sempre maior e superior a qualquer atleta, craque ou ídolo e é ele que devemos defender sempre independente da situação em que esteja. O Avaí tem muito sim que agradecer ao atleta, mas gostaria de ver qual jogador que se diz também torcedor abriria mão do seu salário para ajudar a instituição, e jogaria por amor a camisa.

Ficar batendo na mesma tecla é tapar o sol com a peneira, apontando números que não vão nos tirar do buraco em que nos enfiamos. E antes que digam que sou radical e que não gosto do M10, vou deixar claro que o que me incomoda é ficar longe das redes por quase uma semana e voltar a elas e perceber que o discurso continua o mesmo. Tá chato pra caracas!

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20 jogos

A duradoura má fase avaiana atingiu mais um número expressivo no domingo: já dura 20 jogos. Desde a derrota para o Atlético Goianiense em 29 de outubro de 2013 até o empate com o Brusque em 16 de março de 2014 passaram-se 138 dias de agonia (140 contando até hoje), nos quais o Avaí perdeu 70% das partidas que disputou e teve aproveitamento de lanterna do Brasileirão.

Os números são impressionantes. Vejamos:

20 jogos
4 vitórias
2 empates
14 derrotas
23,3% de aproveitamento de pontos
19 gols marcados (0,95 por jogo)
31 gols sofridos (1,55 por jogo)
-12 saldo de gols
Maior vitória: Avaí 4×0 Juventus
Maior derrota: Avaí 0×4 Figueirense

A campanha do Avaí nos últimos quatro meses e meio poderia ser pior não fossem dois fatores: Juventus e Florianópolis. O primeiro porque duas das quatro vitórias obtidas nesse período foram contra o “Moleque Travesso” (que eu, sinceramente, não lembro de ter feito travessura alguma nos últimos 22 anos, desde que comecei a acompanhar futebol) de Jaraguá do Sul. Eles devem estar se perguntando como conseguiram levar duas chapuletadas de uma equipe em fase tão negra como a nossa.

O fator Florianópolis explica-se porque todas as vitórias avaianas ocorreram na capital catarinense. Três delas foram na Ressacada (uma contra o Boa e as duas contra o Juventus). A quarta, no Orlando Scarpelli Amusement Park, contra aquele time trieliminado em 2010, 2011 e 2012, vice de 1975 e 2012, eliminado da Copa do Brasil de 1999, freguês na Série A etc. etc. etc. Fora dos limites da Manelândia, só desastre, tanto que o pontinho somado em Brusque foi o primeiro obtido pelo Avaí longe de Florianópolis em todo esse período de maré ruim.

Números, sempre eles:

Em Florianópolis
11 jogos
4 vitórias
1 empate
6 derrotas
39,3% de aproveitamento de pontos
11 gols marcados (1 por jogo)
14 gols sofridos (1,27 por jogo)
-3 saldo de gols

Fora de Florianópolis
9 jogos
0 vitória
1 empate
8 derrotas
3,7% de aproveitamento de pontos
8 gols marcados (0,89 por jogo)
17 gols sofridos (1,89 por jogo)
-9 saldo de gols

O mais intrigante é que essa sequência maldita ocorreu logo após um período de ótimos resultados. Nos 21 jogos anteriores a esses, o Avaí tinha somado 13 vitórias, cinco empates e só três derrotas, com um aproveitamento de 68,4% dos pontos. Para comparação, o Palmeiras foi campeão da Série B com aproveitamento de 69,2%.

O que causou tanta mudança de desempenho? Há várias teorias que circulam nas redes sociais, que vão de salários atrasados a mau relacionamento entre alguns jogadores e o então treinador Hémerson Maria. Muitos, aliás, colocaram a culpa no treinador, chamado de burro, cagão, fraco e outros adjetivos nada garbosos – e hoje o burro, cagão e fraco está lá levando o limitado Joinville a disputar de igual para igual com Criciúma e Figueirense, da Série A, uma vaga na final do campeonato.

De vez em quando aparece nessa selva de indiretas e informações pela metade que é o mundo virtual avaiano a frase “todo mundo sabe o que aconteceu”, mas a verdade é que, ainda, ninguém, ou pouca gente, sabe o que realmente aconteceu – qual foi o estopim – para o Avaí ir do topo ao fosso com tamanha velocidade.

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Legado Inestimável

Texto produzido a pedido do site impedimento.org
Nota: Publicado em 11/03, ou seja, antes da partida contra o Juventus.
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Semblante do torcedor diz tudo (foto: Facebook do Avaí)

Semblante do torcedor diz tudo (foto: Facebook do Avaí)

O Avaí Futebol Clube, o mais vezes campeão de Santa Catarina, vive uma das piores fases de seus 90 anos. Disputou onze partidas pelo estadual neste ano, com oito derrotas, um empate e apenas duas vitórias. No Hexagonal da Morte que define os dois rebaixados à segunda divisão, perdeu os dois primeiros jogos e é lanterna da competição. Tais números fizeram com que a maior torcida catarinense fosse obrigada a ver seu time amargurando a lanterna do certame. Os problemas que levaram o time a essa situação não se limitam às quatro linhas nem ao ano vigente. Pelo contrário, o rendimento é reflexo de algo muito mais podre fora delas. Para entender o que se passa é necessário voltar um pouco no tempo.

O Avaí viveu seus momentos de glória mais recentes em 2008 e 2009. Em 2007, após uma ameaça de rebaixamento à Série C do Brasileiro, o clube firmou parceria com o empresário Luiz Alberto de Oliveira, da LA Sports. Assim, o 2008 avaiano começa com ótima campanha do estadual e culmina com acesso à Série A no fim do ano. Time e torcida vivem a “lua de mel” dos sonhos. Até então a LA Sports tem seus principais jogadores no clube e os mantêm para o ano seguinte, assim como o técnico Silas.

Logo no primeiro semestre de 2009 vem o título estadual, o qual o clube não vencia desde 1997 quando brilhava a estrela do atacante Jacaré, ídolo do Guga Kuerten. Começa o brasileiro e o clube faz uma campanha espetacular, terminando a competição em 6º lugar, a melhor campanha de um clube barriga-verde. Tudo azul no pedaço mais azul do sul do mundo. Os jogadores que fizeram parte dessa página brilhante da história – Muriqui, William Batoré, Marquinhos, Léo Gago, Luís Ricardo – atingem sua valorização máxima, sendo prontamente vendidos pelo seu empresário, dono da LA Sports.

Curioso que o clube pouco ganhou com essas transações, pois o que existia não era uma parceria, mas sim uma terceirização do Departamento de Futebol. Na prática, funcionava da seguinte maneira: o empresário colocava no Avaí um jogador que o clube não podia contratar, com o benefício ficando apenas para dentro do campo. Fora dele, o empresário tinha liberdade para tirar o atleta quando quisesse.

Aos poucos, Luiz Alberto foi tomando conta do clube. Chegou a ser chamado pelo então presidente João Nilson Zunino de “amigo fraternal do Avaí”. E usando de toda sua fraternidade começou a comandar como queria. Trouxe gerente de futebol, técnico e despejou no clube todo atleta seu que estava parado em algum lugar. Com salários pagos pelo Avaí, lógico, e com carta branca do presidente.

Novamente campeão estadual em 2010, chega embalado ao brasileiro e com um calendário cheio, pois disputaria a Copa do Brasil e a Sula. No nacional, campanha ruim e quase rebaixamento, sendo salvo na penúltima rodada. O time surpreende na competição continental, chegando às quartas de final em um torneio onde o co-irmão de São José sequer venceu um jogo.

No entanto, 2010 ficaria marcado mesmo pelas rusgas entre a parceria e o clube. O Avaí foi inflado com jogadores de quinta categoria, e com os maus resultados apareceram os detalhes dos bastidores que antes eram camuflados pelas vitórias. O Avaí montava elencos com 50, 60 jogadores, celebrava contratos com duração de quatro, cinco anos com atletas trazidos pela parceria sem que eles fizessem nada que justificasse tal extensão de acordo. A folha foi ficando inchada e os melhores jogadores da LA Sports já não desembarcavam mais no aeroporto Hercílio Luz.

Quem leu até aqui pode ter achado que a parceira é a culpada de tudo. Ledo engano, toda ação da empresa era avalizada pela diretoria na figura de seu presidente, que relegou o cuidado com o futebol ao parceiro. A partir daí o clube vai ladeira a baixo. O Avaí caiu para Série B do brasileiro de 2011, terminando em último da Série A no ano anterior com um time de cacarecos deixados por Luiz Alberto.

Em frangalhos, o clube conseguiu ainda a proeza de ser campeão catarinense em 2012 após estar quase eliminado na fase de classificação. Venceu o Figueirense duas vezes na final após o rival ter conquistado os dois turnos do torneio. Fez uma campanha digna na Série B daquele ano, inclusive com boas chances de acesso, não fosse a venda do zagueiro Renato Santos e do meia Cléber Santana ao Flamengo. Neste mesmo período, o presidente Nilson Zunino é diagnosticado com câncer e começa, aos poucos, a deixar o clube para cuidar de sua saúde. Nada mais natural que isso. Ainda em 2012, nova prova de que as coisas não iam bem. Os jogadores se reuniram e paralisaram as atividades antes de uma partida contra o Ceará, pela Série B, na qual o time apenas cumpria tabela. Três meses de salário estavam atrasados.

2013 é o ano do apogeu no calvário avaiano. O estadual passa com o Avaí eliminado pelo Criciúma. No elenco, os veteranos Marquinhos e Cléber Santana, com grande parte de seus salários pagos por Grêmio e Flamengo, respectivamente, juntam-se ao não menos veterano Eduardo Costa para montar uma equipe que parecia promissora para a Série B. No comando, o ex-meia Ricardinho.

Após início ruim na competição, o Avaí chegou à 14ª rodada diante do Figueirense na segunda metade da tabela. Àquela altura, Ricardinho já havia sucumbido aos maus resultados e em seu lugar estava Hémerson Maria, que treinou a base avaiana e comandou o time profissional na conquista do estadual de 2012. No referido jogo, vitória por 3 a 1 início de uma arrancada que levaria o time à terceira colocação do campeonato faltando sete jogos para o fim e que abafaria os problemas extracampo. Até que a situação fica insustentável.

25 de outubro de 2013: a última boa partida do Avaí

Nesse dia em que o Avaí chegou ao G4, em terceiro lugar, a vitória sobre o Bragantino foi o último suspiro de bom futebol que o torcedor azurra tem lembrança. Nunca saberemos ao certo o que aconteceu com o elenco a partir daí. Alguns que dizem que houve grande discussão nos vestiários por questões de atrasos salário e premiação; outros, que parte do grupo rachou com Hémerson Maria. O fato é que a situação financeira havia atingido níveis inaceitáveis. A essa altura, Zunino estava afastado totalmente da presidência, deixando Nilton Macedo Machado na função. O que isso influenciou naquele momento? Tudo.

Para aqueles que não conhecem, João Nilson Zunino é um médico e rico empresário de Santa Catarina. Dono de uma das maiores redes de laboratórios de análises clínicas do estado, o presidente era conhecido por injetar dinheiro no clube para quitar folhas salariais atrasadas. Segundo balanço financeiro divulgado no final de 2013, o Avaí deve a seu agora ex-mandatário o valor de R$ 12 milhões. Sem traquejo com futebol e sem dinheiro para apaziguar os ânimos, Nilton Macedo Machado pouco pode fazer para o barco não ir a pique.

“O período de 2010 a 2013 foi caracterizado por um descontrole na relação entre o que se fatura e o que se gasta. Foi nesta fase que a situação financeira passou a ser insustentável. Em 2009, o déficit acumulado era de R$20,2 milhões, em 2011 era de 22,2, mas em 2012 já era de 30,6, e hoje deve estar em torno de R$ 35 milhões.”, afirma Claudio Vicente, ex-conselheiro do Clube em texto publicado no site Conselharia Azurra.

O Avaí tinha a essa altura 53 pontos faltando ainda seis jogos a disputar. Para terem uma ideia, o Figueirense subiu em 2013 com 60 pontos, ou seja, o clube precisava de sete em 15 disputados – aproveitamento de time quase rebaixado – e não conseguiu (foram cinco derrotas e uma vitória). Terminou a competição na décima colocação.

Eleições

Enquanto a Série B 2013 se desenrolava, outra peleja acontecia fora de campo. Um grupo de sócios e alguns conselheiros do clube – entre eles três ex-presidentes do Leão, Flávio Félix, Décio Girardi e Gerson Basso – insatisfeitos com a atual administração, decidiram inscrever uma chapa e concorrer ao pleito do Conselho Deliberativo (no atual estatuto avaiano, o Conselho elege a Diretoria Executiva). A situação também montou chapa. Foi a primeira vez em 90 anos de história que haveria eleição no Avaí.

Eram cerca de 4.500 sócios aptos a votar. Destes, pouco mais de 900 foram à Ressacada naquele 20 de novembro, dando a vitória à chapa da situação, ou seja, da continuidade.

12 anos, três títulos e muitas dívidas depois, Zunino deixou o Avaí.

12 anos, três títulos e muitas dívidas depois, Zunino deixou o Avaí. (Foto: Jamira Furlani)

O Conselho Deliberativo eleito escolheu Nilton Macedo Machado como presidente, candidato da antiga gestão Zunino, tomando posse ainda em dezembro de 2013. Nilton já era vice, chegou à presidência, mas disse não conhecer a situação do clube. Usou do famigerado “eu não sabia”. No entanto, em seu discurso de posse, afirmou que Zunino saía do comando deixando um “legado inestimável”.

Nos primeiros dias de gestão, contudo, promoveu um discurso mais austero e pé no chão. A situação era mais do que crítica. Era vergonhosa. Funcionários da limpeza e conservação cruzaram os braços em paralisação pelo atraso de salários, assim como trabalhadores das lojas oficiais do clube. Ainda em 2013, o clube acertou a contratação de Sidney Moraes, jovem treinador que fez boa campanha com o BOA Esporte na Série B daquele ano, mas este usou da “cláusula de liberação” que constava em seu contrato em caso de proposta melhor e picou a mula rumo à Ponte Preta sem nem mesmo começar o trabalho em Santa Catarina. Sem opções e sem dinheiro para tirar um treinador de outro clube, o Avaí efetivou Emerson Nunes, que havia encerrado a carreira de jogador por problemas cardíacos no clube e era auxiliar técnico no Leão.

Após muitas especulações, o Avaí consegue manter seus principais jogadores. Pela primeira vez após muitos anos o time não precisou começar do zero. O Avaí 2013 tinha dois problemas: uma defesa insegura e a falta de um bom atacante. Nenhuma das duas coisas foram consertadas para 2014.

O estadual inicia com derrota para o Atlético de Ibirama, fora de casa – perder em Ibirama é rotina para o Avaí. Na segunda rodada, vitória sobre o pequenino Juventus, de Jaraguá do Sul, e ânimos um pouco acalmados. Foi a segunda vitória em nove jogos, contando com o fim da Série B do ano anterior. Na rodada seguinte, após nova derrota para o Marcílio Dias, em Itajaí, a realidade vem à tona sem dó, nem piedade.

O Avaí vinha jogando um péssimo futebol desde a já citada partida contra o Bragantino. Um time sem vontade, sem criatividade, sem vida. Cleber Santana e Marquinhos, o último principalmente, começam a ser questionados e tachados como medalhões inúteis.

Antes da partida contra o Joinville, pela quarta rodada do estadual, os jogadores ameaçam uma paralisação, prometendo nota à imprensa explicando seus motivos. A nota acabou não sendo divulgada devido a quitação de uma parcela dos atrasados. Tomem um ar, bebam um copo d’agua e se alonguem. A próxima informação é chocante: em fevereiro de 2014, o Avaí quitou os salários referentes a outubro de 2013. Na prática, muitos jogadores estavam desde setembro do ano passado sem receber.

O Avaí prometeu colocar o resto dos atrasados em dia. Para ajudar no pagamento, se aproximou novamente do empresário Luiz Alberto. Além dele, Eduardo Uram e a empresa Plus Sports participaram do “racha” que injetou R$ 1,3 milhão nos cofres do clube. Em troca, o clube ofereceu participação em atletas das categorias de base. De pires na mão, a diretoria azurra não viu outra opção a não ser aceitar a proposta. Jogadores chegaram, principalmente da LA Sports, e assim o antigo parceiro que já foi “amigo fraternal” e que já rompeu ligações com o clube estava de volta.
Todo esse imbróglio fora de campo afetou o rendimento do time. Imagine você como treinador. Com que autoridade você cobraria algo devendo cinco meses de salário?

Daí para frente foi ladeira abaixo. Os jogadores se apagaram, as falhas defensivas ocorriam aos montes. A confiança ruiu, e quando ela vai embora não há mais jeito. O torcedor avaiano vê seu time entrar em campo como se fosse um solteiros x casados após o churrasco. Em alguns jogos, como contra a Chapecoense na primeira fase, o time até começa bem, sai na frente do placar. Mas a frágil defesa entrega o empate ao adversário e é visível no semblante dos jogadores o sentimento de “lá vamos nós de novo”. Alguns jogadores parecem nem ligar se o pior acontecer. Some-se isso a um treinador inexperiente e despreparado e o saldo é um só: mais derrotas e a demissão de Émerson Nunes.

Chega Paulo Turra para assumir o time (por indicação de Luiz Alberto). Três derrotas depois ele é demitido. Seguem mais derrotas, sempre com falhas na defesa, que fica estatelada ao chão na tentativa de impedir o tento adversário. Na primeira fase foram seis em nove jogos, três delas em casa, e o oitavo lugar num campeonato com dez times.

E assim o Avaí está jogando o hexagonal final, que definirá os dois rebaixados à segundona catarinense, com seu terceiro treinador em apenas onze jogos. Um torneio no qual o clube se inscreveu há alguns anos. Faltam oito jogos para descobrirmos se o “legado inestimável” será jogar no interior profundo de Santa Catarina em 2015.

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A hora da ação

Hoje à noite o Avaí tem seu jogo mais importante do ano até o momento. Alertamos aqui para o perigo de o Avaí entrar no “hexagonal da morte” pensando em treinar e preparar-se para a Série B, pois o risco de rebaixamento existe sim e não é pequeno – creio que os dois primeiros jogos tenham deixado isso claro. Se o Leão quer salvar o pouco de dignidade que ainda lhe resta e manter-se na primeira divisão estadual, não pode pensar em perder pontos contra o Juventus. É ganhar ou ganhar, matar ou matar. Não tem escapatória.

marcilio31ava

Apatia, jogador andando em campo, observando o adversário marcar com o gol vazio… chega disso!

Mas como um time que tem apenas duas vitórias em 11 partidas no Campeonato Catarinense fará isso? Sempre digo pros meus amigos que não entendo de futebol e só dou pitaco. Pois bem, meu pitaco é de que o maior problema do Avaí dentro de campo (fora de campo há outros milhares…) não está no esquema tático, na preparação física e talvez nem estivesse no treinador (embora tenhamos em Pingo o primeiro treinador do ano com alguns resultados expressivos na carreira), mas está na cabeça.

É o salário que atrasa, o Fulano que briga com o Beltrano, as panelinhas que se formam, o diretor que promete e não cumpre, o treinador que vai à imprensa dizer que o elenco é fraca, a sequência de derrotas que tira a confiança, a torcida que cobra… Juntou tudo isso, formou uma bola de neve e o time entrou em parafuso e, pra piorar, começou ficar apático, indiferente às derrotas. Time, aliás, que no papel tinha tranquilamente condições de estar no quadrangular semifinal, e não na lanterna do hexagonal dos piores.

Basta pegar a escalação do time semifinalista em 2013 para ver que, apesar dos problemas que o elenco atual tem, não é por deficiência técnica que estamos fazendo uma campanha tão ridícula em 2014. A equipe que jogou em Criciúma a semifinal do ano passado tinha Diego, Arlan, Pablo, Alef, Julinho, Alê, Eduardo Costa, Higor, Marquinhos, Reis e Roberson. Depois entraram Aelson, Danilo Alves e Tauan. Um time longe de ser bom, não é?

Mais que implantar sua filosofia antichutão, fazer mudanças táticas ou ensaiar jogadas, Pingo tem esse desafio para esta noite: trazer de volta à turma o sentimento de vergonha e ódio da derrota. Ir além do discurso de que “temos trabalhar”, “temos que nos esforçar”, realmente desejar, sonhar com a vitória, se não por amor à camisa, que nem todos têm, mas por suas carreiras e reputações. O treinador, claro, não deve estar sozinho nessa. O Avaí tem jogadores macacos velhos, com cancha e história de conquistas no clube. Sempre vêm à mente os nomes de Diego, Marquinhos, Eduardo Costa e Cléber Santana. São os mais experientes, os mais afamados, os mais queridos pelos torcedores porque têm mais identificação com o clube. Vamos lá, move yourself, peguem os outros pela mão e digam “vamos ganhar essa p***!”, hajam como líderes.

Sei que não é fácil, mas para o Avaí manter-se na primeira divisão estadual, o time precisa passar, pelo menos momentaneamente, uma borracha no que aconteceu de 2013 pra cá. Romper com os problemas do passado recente ou, pelo menos, varrê-los para debaixo do tapete até que a incômoda visita do fantasma do rebaixamento vá embora, deixando pra levantar novamente o tapete mais adiante. É isso ou não ganhar hoje, entrar em campo cada vez mais pressionados nas próximas rodadas e fatalmente sucumbir.

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